O dia de Finados

Contos do Amnysinho Rachid
Dia 02 de novembro é um feriado que tem como referência o dia dos que já partiram, o dia dos mortos.
Antigamente era um dia muito triste pois não se podia ouvir músicas, falar alto, brigar era um dia determinado para orações e lembranças daqueles que partiram.
Nunca entendi muito esta postura das pessoas como chorar, lamentar e rezar somente naquele dia determinado pela igreja, no outro dia já se volta ao normal e deixa para chorar suas perdas no outro ano kkk.
Quando erámos crianças eu e meu primo e parceiro Gilberto já combinávamos que no dia de finados já tínhamos um compromisso, bem cedo partíamos para o cemitério.
Ao chegar lá já deparávamos com um grande número de pessoas indo rezar para seus mortos, ali tudo acontecia tinha a turma que fazia uma limpeza geral, muitos colocavam flores em grandes vasos com água, por sorte ainda não existia a dengue senão seria um grande foco.
O mais interessante é que rodávamos tanto que já sabíamos onde ficava os túmulos famosos, virávamos guias mirins kkk
Ao entrar no cemitério do Centro de cara já parávamos no grande túmulo do Sr. Jovelino Rabelo ali de cara íamos dizendo o tanto que ele fez pela cidade como foi empreendedor andávamos mais um pouco e tinha talvez o mais chamativo túmulo, era de uma senhora italiana que seu marido ficava sentado em uma cadeira todo de terno gravata com uma cara de poucos amigos, quando passávamos comentávamos dizem que vem todo ano de remorso kkk pois foi muito ruim para a esposa isso dizem as más línguas kkk.
Tinha também o túmulo da menina que morreu novinha e dizem que era milagrosa, a capelinha ficava lotada de velas, sempre acabávamos no tumulo do nosso avó, que era todo em mármore preto com uma grande estátua de São Judas Tadeu, uma vez roubaram a estátua que depois foi encontrada e devolvida.
Na porta o comércio de rosas era forte, a turma da água e da pipoca também tiravam a barriga da miséria.
Outra coisa que fazia parte do nosso trajeto turístico era mostrar os túmulos das famílias ricas, algumas até com jardins e sempre pintava as histórias pitorescas das mesmas que adorávamos narrar.
Hoje temos a certeza que o sentimento e respeito que temos que ter por quem já partiu existe só em um dia mas sempre dentro de cada um.








