O combate espiritual

Ômar Souki
Na missa de domingo, dois trechos das Sagradas Escrituras chamaram a minha atenção. Um, retirado do Antigo Testamento, foi o combate contra os amalecitas no livro do Êxodo (17, 8-13) e o outro foi do Evangelho de Lucas (18, 1-8), que descreve o comportamento de uma viúva insistente frente a um juiz injusto. O primeiro descreve um ataque sofrido pelos israelitas depois da passagem pelo mar Vermelho. Josué saiu para a luta, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram a colina para interceder ao Senhor. Enquanto as mãos de Moisés permaneciam elevadas, Israel vencia, mas quando suas mãos se abaixavam, Amalec vencia.
Então, Aarão e Hur, cada um sustentou um dos braços de Moisés para que suas mãos permanecessem firmes até o pôr-do-sol. Dessa forma Josué conseguiu derrotar os amalecitas. Depois da vitória de Israel, o Senhor pediu a Moisés que a registrasse em um livro. E Moisés construiu um altar com o nome de “O Senhor é a minha bandeira!”. Disse também: “Uma certa mão se levantou contra o trono do Senhor: haverá guerra do Senhor contra Amalec de geração em geração”.
Esse combate pode representar os desafios do nosso dia a dia. Enquanto permanecermos perto de Deus em oração, estaremos vencendo. Não importa qual seja o resultado—se Deus estiver conosco—estaremos salvos dos ataques do maligno. A luta acontece em dois níveis, no teatro da vida e no interior do nosso quarto. Enquanto Josué combatia o inimigo do Senhor, Moisés, Aarão e Hur oravam. A disputa acontecia tanto no campo de batalha quanto no alto da colina, onde Moisés pôde contar com o apoio de seus auxiliares. No campo Josué contou com seus soldados e na intercessão Moisés teve o apoio de dois homens.
Na nossa luta diária precisamos nos unir a outras pessoas, tanto para a solução de problemas práticos, quanto nos momentos de oração. E, a nossa vitória ou derrota vai depender da intensidade de nossa oração. Isso é demonstrado pela parábola de uma viúva que procura um juiz e lhe pede: “Faça-me justiça contra o meu adversário!”. Mas, o juiz, que “não temia a Deus e não respeitava homem algum”, durante muito tempo se recusava atendê-la. Mas ela tanto insistiu que ele pensou: “Eu não temo a Deus nem respeito homem algum; mas essa viúva já está me aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não fique me incomodando”. Jesus, então, explica que se um juiz injusto se dobra à insistência de uma pobre viúva, é claro que Deus fará justiça àqueles que “dia e noite gritam por ele”. Diz ainda: “Será que vai fazê-los esperar? Eu lhes declaro que Deus fará justiça para eles, e bem depressa”.
Essas leituras, além de nos estimularem a orar sem cessar como fez a viúva, também nos mostram que é importante orar (Moisés, Aarão e Hur) e agir (Josué e os soldados) em união com outros fiéis. Por fim, é importante observar que o combate é contínuo. Os israelitas tinham sido libertados da escravidão no Egito e atravessado o mar Vermelho e, logo à sua frente, lhes apareceu novamente o inimigo de Deus na figura dos amalecitas. Essa é uma guerra que dura “de geração em geração”, isto é, dia após dia, enquanto estivermos longe da Terra Prometida.








