Empresária de Divinópolis é presa após condenação por tráfico de drogas

A empresária M. A. R. de 30 anos, foi presa na noite desta quarta-feira (15) em Divinópolis, após ter a prisão decretada pela Justiça por envolvimento em um esquema de tráfico interestadual de drogas. Ela foi condenada a 10 anos de reclusão em regime fechado por integrar uma quadrilha que tentou transportar 1,5 tonelada de maconha para o município em 2022. A prisão foi realizada pela Polícia Militar na Rua Fortuna, no bairro São Sebastião.
Segundo informações da Polícia Federal, a empresária fazia parte de uma organização criminosa desarticulada durante a operação denominada “Jack Card”, que resultou em uma das maiores apreensões de drogas já registradas na região Centro-Oeste de Minas Gerais. O caminhão que transportava a carga ilícita foi interceptado na MG-050, em Piumhi, quando seguia do Paraná para Divinópolis.
Na ocasião, quatro pessoas foram presas em flagrante, incluindo o motorista do caminhão e um dos articuladores da quadrilha. M. A. R., conhecida no ramo de recreação infantil à época dos fatos, não havia sido detida durante a operação inicial e passou a responder ao processo em liberdade. Após o trânsito em julgado da condenação, a Justiça determinou o cumprimento imediato da pena.
A defesa da empresária havia solicitado recentemente o direito de cumprir a pena em prisão domiciliar, sob o argumento de que ela é mãe de duas crianças pequenas. No entanto, o pedido foi negado pela juíza da 1ª Vara Criminal de Divinópolis, que considerou a gravidade do crime e a complexidade da quadrilha como fatores impeditivos para a concessão do benefício.
De acordo com a sentença, M. A. R. atuava na parte financeira e logística da organização. As investigações apontaram movimentações em suas contas bancárias, pagamentos de despesas de transporte e intermediação de contatos com outros integrantes do grupo. Interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, também indicaram que ela prestava apoio operacional à quadrilha.
Os investigadores concluíram que, embora a empresária não participasse diretamente do transporte da droga, sua função administrativa era fundamental para o funcionamento do esquema, que envolvia o envio de grandes quantidades de entorpecentes de Cascavel (PR) para Minas Gerais. A maconha seria fracionada e distribuída para cidades da região.
Durante a operação “Jack Card”, agentes da PF e da Polícia Militar Rodoviária encontraram 1,5 tonelada de maconha escondida entre caixas e produtos agrícolas no caminhão-baú. O motorista, de 33 anos, morador de Divinópolis, confessou que receberia pagamento pelo transporte. Um veículo VW Santana servia como batedor, alertando sobre barreiras policiais ao longo da rota.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação, rejeitando o pedido da defesa para anular interceptações e aplicar o chamado tráfico privilegiado, que reduziria a pena. A corte entendeu que a grande quantidade de droga e a atuação estruturada da quadrilha afastam qualquer possibilidade de abrandamento.
Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmaram as decisões de segunda instância, declarando encerrada a fase de recursos. O processo foi remetido à comarca de Divinópolis no fim de setembro, e o mandado de prisão foi cumprido nesta semana.
Na manhã desta quinta-feira (16), M. A. R. foi transferida para o Presídio de Pará de Minas, onde iniciará o cumprimento da pena. Bens apreendidos durante as investigações, incluindo veículos e contas bancárias, foram destinados à União por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad).
Para o Ministério Público, a decisão representa um marco no enfrentamento ao tráfico de drogas de grande porte em Minas Gerais, evidenciando a efetividade da atuação integrada entre forças policiais e o Judiciário. A operação “Jack Card” segue sendo considerada um dos casos mais emblemáticos da repressão ao tráfico no interior mineiro, tanto pelo volume da apreensão quanto pela complexidade do esquema desmantelado.









