Vontade de viver
Ômar Souki
Paul Alexander de Dallas, no Texas, contraiu poliomielite em 1952, quando tinha seis anos. Todo seu corpo, do pescoço para baixo, ficou paralisado e ele não conseguia nem respirar, nem falar. Foi, então, colocado em um pulmão de ferro, onde permanece por quase todo o dia, durante os últimos 65 anos. Somente deixa o equipamento por três horas, período no qual tem de fazer um grande esforço para conseguir uma respiração de cada vez. Mesmo assim conseguiu formar-se em direito e exercer a profissão com sucesso.
“Quando eu estava no hospital, em um quarto enorme, com outras crianças em pulmões de ferro, percebi que a cada dia algumas desapareciam. Depois vim a saber que elas tinham morrido. Eu me perguntei, então: ‘Por que eu fico vivo e elas todas morrem?’. A sala onde eu estava acabou ficando vazia e só eu permaneci vivo. Pensei: ‘Deus o que aconteceu que eu não morri? Qual é o problema? Por que você não me deixou morrer?’. Mas ele nunca me respondeu.
“Mamãe e papai permaneceram no hospital por 18 meses comigo. E, quando chegou perto da época do Natal, pediram aos médicos para me levarem para casa. Fui colocado, juntamente com o pulmão de ferro, em um caminhão e levado. Ir para casa era algo que eu desejava muito. A vida com meus pais foi incrível. As pessoas falam do amor de Deus e são apenas palavras. Mas meus pais não só falavam do amor de Deus, eles o viviam. Não consigo acreditar que haja alguém como eles, que possam existir pessoas com as qualidades deles. Eles me amavam demais.
“Depois que fui para casa aprendi a fazer uma coisa que não fazia por anos. Aprendi a respirar e a falar e expressar coisas que eu havia pensado por 2 ou 3 anos. Os milagres continuaram acontecendo. Sempre fui uma pessoa inquisitiva. Meus pais me ensinaram a usar a minha inteligência e a minha energia para ser produtivo. Nunca me considerei um aleijado. Não sou inútil, não sou incapacitado. Posso ser aleijado na mente da maioria das pessoas, exceto na minha. Experimentei de tudo na vida e muito mais”.
Com a ajuda de uma fisioterapeuta ele começou a respirar por alguns minutos de cada vez até chegar a ficar três horas fora do equipamento. As pessoas ficavam impressionadas com aquele milagre e perguntavam: “Por que você não morreu?” e ele simplesmente respondia: “Deus não quer que eu morra”. Paul continuou vivendo e disse que viver se tornou divertido, passou a apreciar a luta, o desafio. Respirar para ele não é fácil, é um ato consciente que demanda muita energia.
Decidiu estudar, mas levou dois anos para a escola, perto de sua casa, finalmente aceitá-lo. Após vencer os anos de escola, disse que se tornou bastante ambicioso. Foi para a Universidade do Texas, em Austin, e lá permaneceu por 15 anos. Formou-se em 3 cursos, inclusive direito. Passou no exame da ordem dos advogados e começou a exercer a profissão, abriu seu escritório, e, em dois anos, já estava ganhando muito dinheiro. Quando acorda de manhã, ele se pergunta: “O que posso fazer para realizar algo?” Diz que olha para as pessoas e lhes pergunta: “Por que você está aqui? Qual é o seu propósito? Há um propósito na vida. O que você faz para melhorar as coisas? Se eu não tiver um propósito para aquele dia, eu crio um!”.
Perguntaram a Paul se ele já tinha pensado alguma vez que a sua situação era injusta. Ele respondeu que nunca pensou em sua condição como sendo justa ou não, mas sempre disse “Deus você me escolheu para viver! A poliomielite é uma doença destrutiva. Se você não lutar como nunca, ela vai vencer você. Deus me disse: ‘Nós não estamos prontos para receber você, portanto volte a trabalhar’”.








