Minas Gerais

Ser e parecer

Ômar Souki

Uma vez escutei uma frase que achei genial: “Você nunca terá uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão”, atribuída ao designer gráfico Aaron Burns. Embora ele tivesse se referido à uma impressão gráfica, o conceito se encaixa como uma luva às relações interpessoais. Há pessoas que, de cara, inspiram confiança, enquanto outras nos espantam. Uma ideia complementar a essa é a seguinte: “Não basta ser, tem de parecer”.  Por melhor que seja o nosso conteúdo como pessoa humana em termos éticos e profissionais, é importante estar sempre investindo em nossa apresentação pessoal, assim como no aprimoramento de nossa linguagem.

“Se pararmos para pensar o que nos atrai primeiro é a forma, a maneira como você vê e entende de imediato. Depois, aí sim, o conteúdo é levado em conta, e é ele que fideliza. Por exemplo, o seu currículo, a sua apresentação em uma entrevista de emprego, é o parecer ser que conta. Depois, ao longo da atuação profissional, você passa a ser valorizado pelo conteúdo que apresenta. Ou seja, a primeira escolha vem pela forma, mas é claro que não adianta você mostrar uma forma que não é. […] Não fideliza. Não é à toa que muitos profissionais possuem currículos lindos, são contratados e depois de um tempo são desligados da empresa. Provavelmente porque a forma não condiz com o conteúdo” (Sonia Mazetto, expianews.com).

Isso não se aplica apenas ao mundo empresarial, mas também ao nosso convívio com amigos e familiares. Um jeito aberto, espontâneo, otimista e alegre de se comunicar abre muitas portas, mas, para que elas permaneçam abertas, é preciso que haja congruência com nossas atitudes e comportamentos ao longo do tempo.  “Para cuidar bem da nossa própria imagem precisamos perceber que estamos sendo avaliados 24h por dia, como se estivéssemos em um enorme Big Brother. Os nossos gestos mais simples como um sorriso ou uma carona podem fazer toda a diferença junto à opinião pública, que eventualmente podem ser nossos clientes. Da mesma forma, um gesto negativo no trânsito ou uma resposta ‘torta’ ao telefone pode nos fechar portas pelas quais tanto lutamos para serem abertas (Márcia Ledo, oliberal.com).

Um médico candidatou-se para ser alto executivo de uma empresa farmacêutica. Passou por todas as fases do processo de contratação, mas algo trágico aconteceu antes da última entrevista, que seria com o presidente da organização. Ao entrar com seu carro no estacionamento se desentendeu com o motorista de um outro veículo que também estava se preparando para entrar no prédio. Sem pensar, lascou um palavrão em direção àquela pessoa. Quando entrou na sala da presidência para a sua última e decisiva entrevista, quem foi que ele viu? O mesmo homem que ele tinha xingado no estacionamento. Não foi contratado.

Por melhor que sejam as nossas qualificações, seja em casa ou no trabalho, é de suma importância investir pesado tanto na forma em que nos apresentamos em público, como no jeito em que usamos as palavras. Aquilo que o nosso exterior mostra deve ser o espelho do que habita em nossa mente e em nosso coração.  

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