Os benditos do Pai

Ômar Souki
“Venham benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome e vocês me deram de comer; eu estava com sede e me deram de beber; eu era estrangeiro e me receberam em casa; eu estava nu e me vestiram; eu estava doente e cuidaram de mim; eu estava na prisão e vocês foram me visitar” (Mateus 25, 34-36). O Rei dos reis afirma que todas as vezes que alimentamos, acolhemos, vestimos, cuidamos e visitamos “aos menores de seus irmãos” foi a ele mesmo que o fizemos. O próprio Deus se faz pessoa para nos ensinar como conviver uns com os outros. Os que assim procederem terão a vida eterna e os que fizerem o contrário, o castigo eterno. Esse ensinamento é tão radical que—mesmo depois de dois mil anos de repetição—é seguido por poucos. Como posso ver Deus em cada um dos meus sofridos semelhantes?
Segundo Madre Teresa: “Devemos buscar a face de Deus em tudo, em todos, o tempo todo, e a mão dele em tudo que acontece; é isso o que significa ser contemplativo no coração do mundo. Ver e adorar a presença de Jesus, especialmente na aparência humilde do pão (na Eucaristia) e no angustiante disfarce de pobre” (comshalon.org). Ela sugeria que as irmãs de sua congregação permanecessem pelo menos uma hora em contemplação—saboreando a Presença de Deus em seu quarto interior—antes de iniciar o serviço assistencial.
Irmã Dulce disse: “Jesus precisa ser encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado. A maior fascinação da humanidade é Jesus. […] O discípulo se assemelha ao Mestre. A vida de Jesus, o jeito de Jesus, os sentimentos de Jesus, como também a cruz e a glória do Senhor são destino do discípulo” (a12.com). São João Evangelista: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, e no entanto odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E esse é justamente o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também o seu irmão” (I João 4, 20-21).
Toda a nossa evolução espiritual está condicionada ao mandamento do amor. Oramos, meditamos, jejuamos, enfim, cultivamos a vida interior, com o propósito de abrir nossos corações para o outro. Se resistirmos a ter sensibilidade com o sofrimento alheio, as práticas religiosas de nada valem. Pelo contrário, estão reforçando a nossa solidão e o nosso egoísmo, que, por sua vez, nos distanciam de Deus e alimentam já aqui na Terra o fogo infernal. Por outro lado, ao adicionarmos às práticas espirituais o compromisso de ajudar ao próximo, estaremos já aqui na Terra alimentando a glória celestial.
A receita é simples, mas não é fácil: alimentar, acolher, vestir, cuidar e visitar. À medida que conhecemos pessoas que conseguiram essa vitória nos damos conta de que é possível. A energia para seguir em frente—vendo em cada irmão a imagem de Cristo—nos será concedia pelo próprio Deus ávido por se encontrar conosco em nosso quarto interior.








