Artigos - Variedades

Modelos de comportamento

Quando criança eu admirava a alegria e o otimismo do tio Kamel Souki. Convivia com ele enquanto morávamos na Venezuela de 1949 a 1956. Sempre atencioso, era pródigo em me presentear e levar-me para passeios na praça de Tucupita, cidade onde morávamos, à beira do rio Orinoco. Depois dos sete anos, já em Divinópolis, Minas Gerais, comecei a conviver com os freis do Convento Santo Antônio, em especial com frei Mariano Gijsen. Nele eu observava a postura altiva ao caminhar, as suas homilias entusiasmadas nas missas das 9h00 do domingo e a sua sala repleta de livros. Durante a adolescência meu pai, Acácio Oliveira, dono do Armarinhos Pio XII, me levava, durante as férias, em suas viagens de vendas pelo interior de Minas. E eu me encantava com a sua inesgotável energia e facilidade de se relacionar com todos.

Assim como temos modelos de comportamento, nós também, consciente ou inconscientemente, nos tornamos referência para as pessoas que nos rodeiam. E eu me pergunto: “será que estou sendo um bom modelo?”. “Tenho lidado de forma positiva com os meus relacionamentos? Tenho me dedicado ao meu desenvolvimento espiritual? Como está o zelo para com a minha mente? E para com o meu físico?”. Quando fazemos essas perguntas, a nossa responsabilidade aumenta. Somos alertados para a necessidade de nos cuidarmos melhor, não só porque isso é importante para nós, mas também porque o tempo todo estamos sendo observados pelos filhos, pelo cônjuge, pelos familiares, pelos amigos e colegas.

Querendo ou não, estamos com frequência, através de nossas atitudes, influenciando os outros. Da mesma forma, somos constantemente influenciados. Daí a importância de escolhermos bons modelos de comportamento. Quando eu tinha 12 anos, ganhei do meu pai o Tesouro da Juventude, uma enciclopédia de 18 volumes, que preservo até hoje. Em cada volume havia um capítulo sobre “homens e mulheres célebres”. Por ali passeavam lado a lado, Albert Einstein, Sigmund Freud, Thomas Edison, Henry Ford, Mahatma Gandhi, Santos Dumont, Madame Curie, Leonardo da Vinci, Francisco de Assis etc. E, na minha inocência, eu me perguntava se, algum dia, poderia ser um deles. Portanto, além de ser influenciado pelas pessoas que me rodeavam no cotidiano, era também inspirado pelos personagens apresentados naquele tesouro.

Aqueles estímulos positivos recebidos em minha infância me fizeram sonhar em crescer na direção certa. E, hoje, através de palestras, livros e vídeos amplio consideravelmente a minha zona de influência, o que aumenta o meu compromisso de passar adiante sugestões que contribuam para o crescimento de meus semelhantes.

Fora o Tio Kamel, o frei Mariano e o meu pai, e tantos outros, eu tive também em Walt Disney um dos meus modelos favoritos. Já adulto cheguei a pesquisar a vida dele a fundo e publicá-la no meu livro Liderança e genialidade empresarial. Mas, com o tempo, comecei a dar menos valor às coisas da Terra e a estimar mais as do Céu. Foi quando tive um encontro pessoal com o Modelo dos modelos: Jesus Cristo!

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